Postado, em gravatas de ilusões, fio-me em qualquer ideia criada antes de sequer saber o mundo. As palavras saem em torrentes, vomitadas por uma alma que decidiu apostar na apatia. Sabe-se lá, mas entramos, eu e minha alma, nesse espaço jurado pela anemia: nada nos comove, nada nos move. Estatelaria os velhos ossos num sofá, por anos, se não fosse o instinto de auto-preservação. Por isso, bebo: nessas horas, corre a euforia de sentir-se pronto para colocar "No surprise" no último volume e desafiar as leis da física.
Os dias que se seguirão prometem o arrastar do ponteiro, lento e cadenciado, hipnótico e invencível. Postar-me-ei como quem tem o que dizer, para muitos que não têm o que ouvir. Nessa falácia, minha má vontade de olhares alheios açoitam meu corpo e espírito; continuo, portanto. A dor, fonte de endorfina, me alimentará pelas noites longas, pelos dias sonolentos e convencionais.
Estamos num transe, todos. Eu, no meu lar cuidado pela apatia. O mundo, girando em torno de si, na ilusão de andar para algum lugar que não seja vizinho ao meu.
NÃO SE SALVA A ALMA PELA ARTE. A ALMA ALIMENTA AS MANDÍBULAS DA ARTE. A ALMA...QUE FALTA ELA NOS FAZ...POR ISSO, AQUELE QUE POR AQUI ENTRAR, DEIXE TODA ESPERANÇA DO LADO DE FORA.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
E a poesia dos dias inativos?
Será culpada a pressa que apressa essas palavras estresidas?
Qual o feitio da palavra palavra e das distintas?
Atenda meu recorrer, ó gente, pois feito pó, minha alegoria se refez, mas ressurgida assim, não para em pé.
Transpira a sentença dos galhos sem regras, espelhos abdicados, café espesso que enrosca e faz dos lábios e dentes um só, insólitos.
E a prosa dessa ligadura pro condenado descaso?
Faça-a abrolhar, assim, miúda, desidratando os velhos gentis, ofuscando os jovens de papel.
Borrife aura aos anti heróis dessa nação descalça e sem descanso.
Será culpada a pressa que apressa essas palavras estresidas?
Qual o feitio da palavra palavra e das distintas?
Atenda meu recorrer, ó gente, pois feito pó, minha alegoria se refez, mas ressurgida assim, não para em pé.
Transpira a sentença dos galhos sem regras, espelhos abdicados, café espesso que enrosca e faz dos lábios e dentes um só, insólitos.
E a prosa dessa ligadura pro condenado descaso?
Faça-a abrolhar, assim, miúda, desidratando os velhos gentis, ofuscando os jovens de papel.
Borrife aura aos anti heróis dessa nação descalça e sem descanso.
sábado, 15 de janeiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Entrudo
Eram entrudo aquelas cicatrizes em seu rosto.
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Evocavam o senhor efetivo da despovoada fidalguia de Mancha e o trotar de hipotéticos equinos na conquista de desérticos sonhos.
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Forjavam brasões gravados em escudos de inconstância, dor e sorrisos desfeitos sob o sol da manhã.
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Davam forma à malsã cinza de um rosto precocemente envelhecido e de palavras vagamente preenchedoras do abismo.
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Evocavam o senhor efetivo da despovoada fidalguia de Mancha e o trotar de hipotéticos equinos na conquista de desérticos sonhos.
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Forjavam brasões gravados em escudos de inconstância, dor e sorrisos desfeitos sob o sol da manhã.
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Davam forma à malsã cinza de um rosto precocemente envelhecido e de palavras vagamente preenchedoras do abismo.
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Eram rídiculas as cicatrizes daquele entrudo defunto.
Eram rídiculas as cicatrizes daquele entrudo defunto.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Cabaré In-titulado
Resumindo impressões exaustas e analógicas para as bregas núpcias de repetição.
E eu aqui, defenestrando minha podridão em direção aos dois queixos apoiados; um era cacos rematados e satíricos, outro seguia recussitado.
Inveterando o álacre, preferindo tudo o que não aos interesses alheios.
Não há seca nesse norte, há sombra na caixa íntima de um temporariamente, ménage à trois.
Os seis olhos não enxergam as palavras confessionadas, o eixo do globo some com os pensados confiáveis achismos.
Restauradores da incauta magia, servindo descrença à qualquer oratória crônica.
Vivamos a inchar nesse concerto silencioso, rachando crânios externos sem notar.
Se ao menos confundissem cantigas de roda com a corja comandada pela água infectada, roeriam folhas amarelas e não os próprios dedos.
Observa-se boatos paulistas, curvados ao vazio, de protetores e protegidos.
Suas feições são de carta branca, querem barroco no pagão, assim, não crucificariam verbos recém-nascidos, sacariam a doce bala, aqueceriam a banheira, despertariam na vida pós-caos profetizado.
Tudo isso sobrevoa um compromisso repudiado, vêem a velhice findando aqui.
Adormecidos estaremos à la Cocteau Twins.
Veremos até onde os repetitivos nomes e títulos, terão partes e sílabas contínuas.
Isso foi apenas um palavreA*do, se lhes convém a serventia.
* A parte contínua da palavra 'palavreado', a torna finita.
E eu aqui, defenestrando minha podridão em direção aos dois queixos apoiados; um era cacos rematados e satíricos, outro seguia recussitado.
Inveterando o álacre, preferindo tudo o que não aos interesses alheios.
Não há seca nesse norte, há sombra na caixa íntima de um temporariamente, ménage à trois.
Os seis olhos não enxergam as palavras confessionadas, o eixo do globo some com os pensados confiáveis achismos.
Restauradores da incauta magia, servindo descrença à qualquer oratória crônica.
Vivamos a inchar nesse concerto silencioso, rachando crânios externos sem notar.
Se ao menos confundissem cantigas de roda com a corja comandada pela água infectada, roeriam folhas amarelas e não os próprios dedos.
Observa-se boatos paulistas, curvados ao vazio, de protetores e protegidos.
Suas feições são de carta branca, querem barroco no pagão, assim, não crucificariam verbos recém-nascidos, sacariam a doce bala, aqueceriam a banheira, despertariam na vida pós-caos profetizado.
Tudo isso sobrevoa um compromisso repudiado, vêem a velhice findando aqui.
Adormecidos estaremos à la Cocteau Twins.
Veremos até onde os repetitivos nomes e títulos, terão partes e sílabas contínuas.
Isso foi apenas um palavreA*do, se lhes convém a serventia.
* A parte contínua da palavra 'palavreado', a torna finita.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
“Cadáveres adiados que procriam” ou “Somos contos contando contos, nada”
Procriadores de palavras: proferimo-las com húmus em nossas bocas (as árvores se riem de nós e não podemos compartilhar da calma de nossos irmãos símios). Inconformadamente cadáveres adiados, alçamos voos de albatrozes nas mansardas de deuses ausentes. Perdendo a luta com a Iniludível, morremos de nós mesmos pousados em terra firme.
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Acabamos por nos perder em labirintos de espelhos estilhaçados. E contamos contos que nos inventam na universal solidão de sermos nada.
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Acabamos por nos perder em labirintos de espelhos estilhaçados. E contamos contos que nos inventam na universal solidão de sermos nada.
Limpando espelhos com pauladas
Defronte ao velho-novo espelho, espreito com o canto dos olhos, já temeroso, as mãos brancas e virginais produzindo o trovão: a mágica feita sem truques parece ainda mais impressionante. Sinto também um cheiro já conhecido, de tabaco tostado, de ossos saídos fresquinhos do forno do túmulo: a esse, já sabia o lugar. Mas o temor e a excitação decidem também fazer sombra, tapando a luz que me permitia ficar na ponta dos pés e olhar o espelho. Já não: pequeno, reluzo feliz agora a imagem do pó, acumulado no chão que insistia em fingir ser nuvem.
Abriu-se, como um ataque cardíaco, janelas em que entram o ar fresco, fabricado nas entranhas de um sonho difuso, cheio de móbiles e de um silencioso ensurdecedor: quando soa, soa o som de figuras que nunca deram-se as mãos, mas sob sua batuta, harmonizam-se numa estranha sinfonia. São convidadas as palavras que nunca foram vizinhas, mas a ditadura do sangue puro, da mente de três luas, dos olhos que percorrem por dentro, colocam todos os verbos na ordem inconveniente.
O júbilo do morto converteu-se, acompanhando a tal melodia, em novos passos, apanhados de uma árvore que presumia-se seca, esquecida no quintal de uma casa, perdida em alguma rua, que nunca deu em lugar nenhum, e teve sempre um espelho como beco sem saída. Quebrou-se o espelho e ofertou-se os olhos à soberania do acaso: alguém rasgou o livro dos vocábulos.
Crianças, uniram-se para recriar o verbo. Sem espelho, não havia porque mentir.
Abriu-se, como um ataque cardíaco, janelas em que entram o ar fresco, fabricado nas entranhas de um sonho difuso, cheio de móbiles e de um silencioso ensurdecedor: quando soa, soa o som de figuras que nunca deram-se as mãos, mas sob sua batuta, harmonizam-se numa estranha sinfonia. São convidadas as palavras que nunca foram vizinhas, mas a ditadura do sangue puro, da mente de três luas, dos olhos que percorrem por dentro, colocam todos os verbos na ordem inconveniente.
O júbilo do morto converteu-se, acompanhando a tal melodia, em novos passos, apanhados de uma árvore que presumia-se seca, esquecida no quintal de uma casa, perdida em alguma rua, que nunca deu em lugar nenhum, e teve sempre um espelho como beco sem saída. Quebrou-se o espelho e ofertou-se os olhos à soberania do acaso: alguém rasgou o livro dos vocábulos.
Crianças, uniram-se para recriar o verbo. Sem espelho, não havia porque mentir.
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